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maio 27, 2004

the butterfly effect

butterfly_effect.jpg

um filme de eric bress e j. mackye gruber
com ashton kutcher, amy smart, william lee e eric stoltz
estados unidos, 2004 imdb

recomendo um perímetro de segurança em redor de qualquer sala que exiba o the butterfly effect; é do piorio. algumas críticas que li destacavam-se das demais por não dizerem muito mal; diziam só um bocadinho mal. vai daí, na altura de comprar o bilhete, optei por este (a alternativa era o van helsing, mas alguém deve ter banhado aquela película em repelente, portanto, permanece na minha lista de espera até não haver alternativa). os primeiros minutos – um quarto de hora, mais coisa menos coisa - até passaram bem e prometiam. neste curto espaço de tempo, conseguiu criar mais suspense do que muitos filmes em duas horas. a sério, até o ashton kutcher me parecia bom actor.

nesse período, a situação foi-me exposta e eu percebi que este miúdo, evan, tinha graves problemas; falo de uma espécie de bloqueios que quando terminavam não lhe deixavam qualquer memória. ao espectador também não são revelados, mas se isto acontece durante momentos cruciais da sua adolescência e o puto é apanhado estático com uma faca de cozinha na mão, de certeza que não é coisa boa. evan cresce e vai anotando num diário o seu dia-a-dia, à excepção dos momentos que lhe faltam devido aos ditos bloqueios de memória. a coisa passa-lhe com o tempo e a sua vida ganha uma certa normalidade. isto, claro, até ao dia em que ele descobre que relendo certas passagens dos diários, próximas dos momentos onde a memória falha, consegue viajar para o passado e reviver esses momentos por inteiro. a surpresa não se fica por aí: evan tem o poder de intervir e mudar o rumo das coisas.

ou seja: ele lê umas quantas linhas, entra um efeito especial idiota e irritante, incarna em si próprio quando adolescente, bate o pé e corrige a situação mal resolvida. é aqui que entra a teoria do caos e o chamado efeito borboleta, que toda a gente já deve saber o que é porque foi apregoada a torto e a direito quando os dinossauros regressaram à vida em jurassic park. para quem não sabe, significa que a mais pequenina coisa que façamos pode ter consequências catastróficas. perceberam? óptimo. o resto do filme é isso. evan vai ao passado, faz o que acha correcto, regressa ao presente e a sua vida, a dos amigos e a dos inimigos – o resto do mundo não é para aqui chamado - está virada do avesso. algumas destas vidas são agora uma merda. regressa-se outra vez ao passado, altera-se mais qualquer coisa, regressa-se novamente ao presente e, voilá, todas estas vidas estão agora de um avesso diferente e são uma merda ainda maior… tal como o filme.

este vai e vem repete-se pelo que me pareceu uma eternidade e as várias vidas que estas personagens vão vivendo são de um ridículo que roça o absurdo. ashton kutcher ri, ashton kutcher chora; ashton kutcher de pé, ashton kutcher de cadeira de rodas; beto, presidiário… etc.. os bons tornam-se maus e os maus tornam-se bons… o sofrimento prolonga-se até ao suplício pela inconsciência (clorofórmio, por favor…).

eric bress e j. mackye gruber, argumentistas e realizadores de the butterfly effect, escreveram a sequela de final destination. apesar de uns furos abaixo do seu predecessor, final destination 2 ainda mereceu o meu respeito; é um filme que não envergonha ninguém e, mais importante, por mais desmiolado que seja, não chateia. the butterfly effect é desmiolado, chateia até dizer chega e é insuportavelmente ridículo.

(2/10)
marco

::publicado por jorge em 27/05/04

comentários

És um grande TONE!!!
O filme é espectacular…

comentado por: mosca morta em março 28, 2005 09:52 PM

Discordo da sua crítica ... o filme é interessante ... possui algumas falhas imperdoaveis... mas o conjunto da obra merece algum respeito ... (em tempos de filmes péssimos, esse é um meia boca).

comentado por: Leonardo em junho 18, 2005 11:09 PM

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