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julho 22, 2004
se sei vivo spara

um filme de guilio questi
com tomas milian, marilú tolo e roberto camardiel
itália, 1967 imdb
aka django, kill… if you live, shoot!
mas não liguem muito ao aka, porque, tal como em dezenas de outros westerns da altura, o nome django no título não é mais do que um isco de pesca de espectadores. se entre essas dezenas, muitos não passavam de reles imitadores, o mesmo não se pode dizer de se sei vivo spara. primeiro, não é reles; segundo, não é imitador. o filme de guilio questi nada tem a ver com o filme de corbucci. claro, podemos sempre pegar pela dinâmica do enredo (dois bandos rivais, muito ouro e um estranho pelo meio) e associá-lo a django, que depois levaria a a fistful of dollars e lá entrávamos nós na árvore genealógica do género… para quê? não vale a pena, porque se sei vivo spara tem muito mais que se lhe diga.
a narrativa arranca com a traição e execução do estranho pelo seus companheiros, que fogem com o ouro e o deixam numa vala comum no deserto. no entanto, o estranho não levou os tiros nos sítios certos e sobrevive. escava a sua saída da sepultura e parte em perseguição dos traidores. quando chega à cidade mais próxima, descobre que a população, liderada por tembler e hagerman, já tratou de os enforcar. esses dois, entretanto, apoderaram-se do ouro e dividiram-no entre eles. para complicar, aparece ainda um rancheiro mexicano chamado zorro, também interessado no ouro, mas ninguém se descose quanto ao paradeiro desse tesouro.
a riqueza simbólica e temática de se sei vivo spara é uma das suas características mais eminentes. o estranho "ressuscita" depois da sua execução pelos companheiros e, mais tarde, é torturado na posição da cruz; a fita na cabeça é a sua coroa de espinhos. os homens de zorro, nas suas vestes pretas, são alusões aos fascistas de mussolini e os seus traços de personalidade convergem para a sua homosexualidade sádica e perversa.
se django já é um bom exemplo da absorção de elementos atmosféricos do horror gótico pelo western, se sei vivo spara será, com toda a certeza, um dos melhores: uma pálida mulher vestida de branco vive presa pelo marido num sótão; um homem, depois de alvejado por balas de ouro, mas ainda vivo, morre quando terceiros lhe rasgam o peito com as próprias mãos em busca das balas; o final é servido segundo receita de edgar allan poe… tudo no filme de questi ajuda a construir um art movie intelectual, bizarro, surreal, violento e singular dentro do género.
(9/10)
marco
::publicado por jorge em 22/07/04







