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março 05, 2005

saw

saw.jpg

um filme de james wan
com leigh whannell, cary elwes, danny glover e monica potter
estados unidos, 2004 imdb

no panorama desolador do cinema de terror norte-americano dos últimos anos vão surgindo, a espaços, pequenos filmes independentes que são de imediato apontados como a salvação do género. blair witch foi um desses casos, assim como cabin fever e open water, filmes de baixo orçamento feitos longe da interferência dos estúdios por cineastas jovens, criam primeiro reputação no circuito de festivais e na internet e acabam por fazer estragos nas bilheteiras. em todos os casos anteriores os filmes acabaram derrotados pelo próprio hype, nenhum deles capaz de estar à altura do word of mouth gerado antes da estreia. saw é o mais recente nesta tradição e, longe de justificar todo o barulho, o melhor que consegue fazer é lembrar-me outra vez daquele provérbio sobre a terra dos cegos.

a premissa é pouco menos que genial. adam (whannell) e o dr. gordon (elwes) acordam algemados a canos nos extremos opostos de uma casa de banho nojenta. não sabem porque estão ali, ou como lá foram parar. entre os dois está um corpo com uma arma na mão e um buraco de bala na cabeça. através de algumas pistas, estrategicamente colocadas, descobrem que fazem parte do mais recente esquema de um assassino que dá pelo nome de jigsaw, assim conhecido por causa dos elaborados puzzles que constrói para obrigar as suas vítimas a escolher entre a vida e a morte. um relógio na parede conta as horas que faltam para que a mulher e a filha do médico sejam mortas. a única forma que lhe é dada de o impedir é matar adam primeiro. e as duas serras que o criminoso deixou para trás não são fortes que chegue para cortar as correntes mas perfeitamente eficazes para serrar os membros às quais elas estão presas.

uma abertura destas encerra grande promessa mas é também extremamente difícil de lhe fazer justiça. aproveitem-na bem, porque daí para a frente é sempre a descer. os problemas começam logo ao nível da estrutura narrativa do filme, assente em flashbacks, que causa graves danos à urgência da acção. mais ainda quando muitas dessas sequências não trazem mais nada à história do que uma multiplicação de falsas pistas e suspeitos que não conduzem a lado nenhum. o enredo, aliás, é demasiado frágil para suportar um escrutínio atento. o guião assenta mais em tentativas manhosas de enganar o espectador do que em qualquer tipo de lógica interna. isto é especialmente óbvio no final, quando a última réstia de credibilidade do filme vai por agua abaixo. o twist apanha-nos de facto desprevenidos mas apenas porque é tão implausível e ridículo que nunca nos teria passado pela cabeça.

o elenco também não ajuda. whannell, que em conjunto com o realizador assina o argumento, é uma boa surpresa, o problema são mesmo os veteranos. elwes e glover são um verdadeiro embaraço, se bem que também aqui o guião volte a merecer uma parte das culpas. os seus personagens não têm sequer a semelhança de um arco dramático coerente e são obrigados a pronunciar alguns dos diálogos mais forçados para cá dos morangos com açúcar.

tudo isto é uma pena, mesmo, porque apesar da sua tendência para abusar de truques batidos da escola mtv de realização, wan consegue a alturas criar uma interessante atmosfera visual e distruibuídos pelo tempo de duração do filme existem alguns sustos e ideias eficazes. mas ao escolher povoar saw de referências a genuínos clássicos do género com profondo rosso e the texas chain saw massacre só consegue é sublinhar as colossais diferenças entre o seu e estes filmes. e o facto de as obras-primas de argento e hooper não precisarem que desliguemos o cérebro para as apreciar.

(4/10)

::publicado por jorge em 5/03/05

comentários

Não disseste tudo, mas o essencial está lá.
Apenas tem uma excelente fotografia, muito pouco, pró tal barulho que falas.

comentado por: lynchs em fevereiro 24, 2006 12:27 AM

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