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fevereiro 20, 2005

¿quien sabe?

o rodolfo, amigo e leitor habitual, enviou-me uma crítica a este clássico eurowestern, mais conhecido como a bullet for the general, do qual também gosto bastante. se ficarem suficientemente interessados podem comprar o dvd através do link abaixo e, de caminho, ajudar o zombie a sustentar o vício.

quiensabe.jpg

um filme de damiano damiani
com gian maria volonté, lou castel e klaus kinski
itália, 1967 imdb
aka a bullet for the general

brutalidade. violência. traição. três palavras indissociáveis da maioria dos westerns spaghetti. e este não é excepção. passado algures durante a revolução mexicana de 1910 o filme abre com o fuzilamento de quatro homens, cenário este observado por mulheres e crianças. entre os espectadores está também um americano (lou castel) - mais tarde conhecido como el gringo - que, após esta experiência, compra um bilhete de comboio para "o mais longe possível".

para seu azar (ou sorte), o comboio transporta armas e é emboscado por um grupo de bandidos revolucionários mexicanos liderada por el chuncho (volonté). o gringo acaba por ajudar no assalto e convencer o chefe da quadrilha a deixá-lo juntar-se ao bando.

apesar das diferenças evidentes da personagem de lou castel em relação à quadrilha revolucionária, este não tem a mínima dificuldade de integração ou de assimilação dos ideais do grupo. apesar da sua aparente educação, das suas roupas de qualidade, barba sempre feita e boa aparência no geral, gringo é uma pessoa fria, misteriosa e sem escrúpulos. não fuma, não bebe, não quer mulheres. diz que o seu único interesse é dinheiro, mas dá sempre a sensação de que esconde qualquer coisa. está sempre com pressa, ao bom estilo da velha máxima "tempo é dinheiro".

do resto da quadrilha destaca-se el santo (kinski), um religioso fanático, ingénuo, quase sempre manipulado pelo seu irmão chuncho. não é uma pessoa violenta por natureza, mas não perdoa quem vá de encontro aos seus ideais, seja ele um desconhecido... ou o seu próprio irmão.

ao longo de todo o filme chuncho e gringo vão criando um laço de amizade que vai crescendo com o tempo, sugerindo até, por vezes, uma possível atracção homossexual recalcada. chuncho chega a matar um outro membro da sua quadrilha para proteger o gringo. ao contrário do habitual, todo o drama/suspense dos 10 minutos finais não provém de duelos e tiroteios ou mexican standoffs, mas sim do conflito entre os actos de gringo e a sua relação com chuncho. e acaba por ser aumentado por isso.

apesar do ponto forte serem as personagens, ¿quien sabe? é um filme riquíssimo. há tiros qb, crueldade, explosões e set pieces interessantes - basta ver como é que o gang de chuncho faz parar o comboio no início do filme. nota-se uma abordagem aos temas de amizade e confiança, e, mais ao de leve, à religião e homossexualidade. no entanto o grande tema, e base de todo o filme, é a revolução mexicana. ¿quien sabe? foi um dos primeiros westerns políticos, mas o tema "revolução" não era novidade para o argumentista franco solinas, que contava já, dois anos antes, com uma contribuição para o argumento de la battaglia di algeri de gillo pontecorvo. a banda sonora, assinada por luis bacalov e supervisionada por ennio morricone, está ao nível do resto do filme. a tradução do título para inglês, é, contudo, pobre. não vou dizer porquê, mas provavelmente conseguem ter uma ideia.

volonté, kinski e morricone voltam a trabalhar juntos após for a few dollars more e, verdade seja dita, o resultado produzido não fica muito atrás do filme de sergio leone. talvez menos cool, mas certamente com mais conteúdo.

(7/10)
rodolfo

o dvd inglês inclui, além do filme, uma excelente entrevista com o realizador e uma apreciação por alex cox. está disponível na amazon.co.uk.

::publicado por jorge em 20/02/05

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