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junho 02, 2004
in a lonely place

um filme de nicholas ray
com humphrey bogart, gloria grahame, frank lovejoy e carl benton reid
estados unidos, 1950 imdb
dixon steele é um argumentista a trabalhar em hollywood na década de 50 e não escreve um argumento de sucesso há já uns anos. o seu mais recente trabalho é a adaptação de um best seller de qualidade duvidosa que nunca leu e, a confiar no seu instinto, nem quererá ler. na noite em que o livro lhe é entregue, conhece uma mulher, mildred atkinson, que já o leu e contrata-a para que nessa noite lhe conte a história pelas suas próprias palavras.
o entusiasmo de mildred ao contar a história, que ela diz ter um potencial épico, é inversamente proporcional ao entusiasmo de dixon ao ouvi-la. terminada a tarefa para que foi contratada, mildred abandona a casa de dix, que lhe dá dinheiro para o táxi, uma vez que se encontra demasiado cansado para a levar a casa. poucas horas depois, dix é considerado o suspeito principal da morte de mildred atkinson.
é assim que arranca in a lonely place, mas muda de direcção logo que engata a segunda. o álibi de dix é a sua vizinha, laurel gray, que ainda para mais, engraçou com a cara dele. por seu lado, dix, habituado a ser bajulado pelas mulheres, sente-se atraÃdo pelas barreiras que ela lhe coloca. a atracção acaba por vencer e iniciam uma relação amorosa. dix encontrou finalmente a musa que precisava e, para gáudio do seu agente, começa a escrever ferverosamente. laurel, que fugira – literalmente - do seu anterior caso amoroso, sente ter encontrado o verdadeiro amor.
atingido este cume de felicidade, segue-se a descida. a sombra da morte de mildred atkinson persegue dix e a polÃcia não o larga. o seu historial de violência também não o ajuda; dix é dinamite e tem de explodir de vez em quando, diz o seu agente a laurel, cada vez mais assustada com os ataques de fúria do companheiro. é aqui que a confiança começa a falhar e a abrir buracos na relação, conduzindo à desintegração da estrutura emocional destas personagens. a capacidade de reacção racional perante os acontecimentos perde-se e os mal-entendidos tornam-se em nós impossÃveis de desatar.
este lugar solitário a que o tÃtulo se refere pode ser, na sua leitura mais superficial e descartável, o local do crime, no entanto, a verdadeira essência deste tÃtulo e do próprio filme está muito para além disso. este lugar solitário pode ser o próprio homem, dixon steele, julgado pelo seu comportamento e enclausurado na visão que os outros têm de si; ou pode ser o lugar do artista em fuga ao real, do escritor em comunhão com a sua criatividade; ou ainda, último, mas não menos importante, não será o mundo um lugar solitário na ausência de amor?
los angeles é retratada cinicamente em background e o fantasma da indústria de hollywood paira sobre todos. o argumento é coeso, os diálogos são soberbos e a realização de nicholas ray é exemplar, mantendo o equilÃbrio entre o drama e o policial noir, mas é pelas interpretações de humphrey bogart e gloria grahame que in a lonely place sai vencedor. lauren bacall pode ser a eterna senhora de bogart – eu que o diga, já que formam o meu casal nº 1 no top dos favoritos -, mas grahame é intocável neste seu frente-a-frente com o carismático actor… e logo no filme em que bogart tem uma das melhores interpretações da sua carreira.
in a lonely place conduz-nos ao longo de um labirinto de emoções humanas e o avanço é no sentido do abismo; a redenção não é possÃvel e o final fica para a história do cinema como um dos momentos mais amargos de sempre.
(9/10)
marco
::publicado por jorge em 2/06/04
comentários
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comentado por: ÊÓÆµ»áÒéÈí¼þ em julho 4, 2006 03:33 PM







