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dezembro 15, 2004
finding neverland

um filme de marc forster
com johnny depp, kate winslet, radha mitchell e julie christie
estados unidos, 2004 imdb
gostei imenso de big fish, de tim burton, mas depois de ver este finding neverland, não posso deixar de pensar que burton fez o filme errado. finding neverland tem tudo para ser um filme de burton, incluindo o que faltou em big fish: johnny depp. quem ficou a ganhar foi o realizador marc forster que com alguma sorte – com este filme não é preciso muita! – se habilita a marcar presença na próxima cerimónia de óscares.
forster já tinha dado nas vistas com o anterior monster's ball, mas é agora com finding neverland que o seu nome começa a ganhar significado. o argumento, da responsabilidade de david magee, surge da adaptação da peça the man who was peter pan, de allan knee. no centro da narrativa está james matthew barrie, de cuja imaginação saiu a peter pan, mas finding neverland não é bem um biopic, porque o filme revela mais sobre o acto de criação da célebre personagem do que sobre o seu autor. mesmo para período de tempo em questão, os factos são adulterados para conveniência narrativa.
tudo começa em 1903, em londres, na noite de estreia da mais recente peça do consagrado dramaturgo escocês j.m. barrie. a peça é um desastre e charles frohman, o dono do teatro, precisa de outra peça para pôr em cena em substituição. barrie não tem trunfos na manga e tem de começar algo a partir do zero. um dia, durante os seus passeios em kensington gardens, barrie trava conhecimento com a família davies, composta pela viúva sylvia e os seus quatro filhos: jack, george, michael e peter.
barrie é casado e a sociedade da época é o que se sabe, mas nada o impede criar uma estanha intimidade não só com sylvia, mas também com quatro rapazes. é desta intimidade, das suas constantes visitas à casa dos davies, dos seus passeios e piqueniques, das suas brincadeiras com os rapazes, que de pormenor em pormenor se começa a construir a peça que o imortalizaria.
finding neverland arranca inseguro e tropeça aqui e acolá, principalmente ao não dar crédito à capacidade de observação do espectador. alguns excessos de exposição visual que dá à imaginação de barrie – exemplo: os davies a sair a voar pela janela do quarto – eram escusados; a familiaridade com a história de peter pan e a soberba interpretação de depp são mais do que suficientes para vermos a realidade pelos olhos de barrie, mas forster cai no óbvio e esfrega-nos na cara o que devia ser a nossa imaginação a ver.
ainda assim, e ainda que seja um filme que quase pisa o risco da lamechice, não deixa de ter a magia das histórias de encantar. de outra forma não poderia ser, afinal de contas, estamos a falar do peter pan… o mínimo que se pedia era que essa aura fosse transversal às duas obras. e não só o é, como o é muito para além do que o mínimo pedido.
(6/10)
marco
::publicado por jorge em 15/12/04
comentários
Concordo com a tua análise, se bem que nao com o facto de creres que os excessos de exposiçao visual retiram a imaginaçao do espectador. É perfeitamente natural e de certa maneira importante ver esses excertos visuais, porque sao o exemplo perfeito de como Barrie vivia numa época totalmente fechada a esse tipo de imaginaçao. Com isto nao quero dizer que se deva explicar e mostrar tudo ao espectador, pois retiraria muita da intelegência de qualquer filme, mas neste caso espeçífico em que a imaginaçao de uma pessoa é o tema principal contrastando com o mundo que vive, esses excertos estao muito bem. Nada mais a acrescentar! Manda cumprimentos ao teu irmao.
comentado por: brado em março 16, 2005 04:24 PM







