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fevereiro 21, 2004
big fish

um filme de tim burton com ewan mcgregor, albert finney e billy crudup estados unidos, 2003 imdb
o meu amigo marco diz que o big fish tem a magia do cinema, e eu não podia concordar mais com ele. só a magia do cinema podia fazer passar por grande peixe aquilo que, basicamente, não é mais que uma sardinha.
as histórias extraordinárias que edward (finney) sempre contou ao filho sobre as suas aventuras passadas são demasiado exageradas e surreais para serem levadas a sério. agora, no leito de morte do pai, william (crudup) quer reconciliar-se com o homem por trás do mito. o que ele quer é a verdade sobre aquele homem que nunca conheceu realmente. o que recebe é uma última repetição das mesmas fábulas de sempre, com um jovem edward (mcgregor) a cruzar-se com gigantes, bruxas, lobisomens e o tal peixe.
tim burton realizou ed wood que é um dos meus filmes favoritos. o resto do seu trabalho é irregular mas tem sido sempre interessante. o seu último filme, planet of the apes, foi um falhanço a todos os níveis e big fish é, supostamente, o seu regresso triunfal à forma de outros tempos. ou então não é. apesar de todas as suas imagens bizarras o filme assemelha-se mais à ideia de alguém de como deve ser um filme de tim burton do que ao artigo genuíno. a ideia de alguém sem a mínima noção que não bastam uma árvores torcidas e uns personagens grotescos para fazer a coisa funcionar.
o potencial estava lá para isto ser algo de glorioso. o livro de daniel wallace tem uma história que parece feita para burton e o elenco é excelente, com ewan mcgregor a calçar na perfeição os sapatos de johnny depp. mas no geral big fish é uma esmagadora decepção. é um filme chato, sem ritmo e não tem sensibilidade para retratar a vertente humana da história sem recorrer à mais descarada manipulação emocional. o drama familiar não funciona, nunca, e o filme parece desconfortável e artificial nesses segmentos, como se tivesse pressa de passar rapidamente para o mundo da fantasia, onde está em casa. o problema é que quando lá chega também não faz nada de interessante com ele.
tim burton costumava ser um realizador com um universo pessoal distinto, um tipo particular de humanismo, que mesmo das vezes em que não funcionava completamente nunca era desprovido de interesse. parece que a grande máquina de hollywood também conseguiu transformar isso numa fórmula. com todo o sabor mas com zero calorias. desapareceu a ameaça, a corrente negra, que sempre permeou o trabalho do realizador. perdeu-se a imaginação visual prodigiosa e a imprevisibilidade. perdeu-se a alma. a magia, de que o meu amigo marco me falou, parece mais um ilusionismo barato a gritar, para quem o queira ouvir, "olhem! é magia!"
(4/10)
ps: talvez queiram uma segunda opinião?
::publicado por jorge em 21/02/04







